A ex-deputada federal Silvia Nobre, conhecida politicamente como Silvia Waiãpi (PL), denunciou nesta segunda-feira (20) ter sido impedida de disputar as eleições deste ano pelo próprio Partido Liberal. Os vídeos foram gravados durante a convenção estadual da legenda, realizada em Macapá, onde o partido oficializou suas candidaturas e confirmou a ex-deputada estadual Luciana Gurgel como candidata a vice-governadora na chapa do ex-prefeito Antônio Furlan (PSD).

Nas gravações, Silvia afirma que apresentou todas as certidões exigidas para comprovar sua elegibilidade, mas teve sua candidatura barrada. A ex-parlamentar atribuiu a decisão ao que classificou como “racismo estrutural” e preconceito por ser uma mulher indígena.

“Queridos, estou sendo aqui informada de que vão cercear a minha candidatura por racismo estrutural, por preconceito contra uma mulher indígena. Eu entreguei todas as minhas certidões e agora estão com um golpe contra uma mulher indígena, conservadora e de direita. Estou aqui para avisar o Brasil inteiro o que eles estão tramando no Amapá”, declarou.

Em um segundo vídeo, Silvia aparece discutindo com um homem identificado por ela como integrante da direção estadual do partido. Durante o bate-boca, ela o chama de “traidor” e o responsabiliza pela decisão de impedir sua candidatura. A ex-deputada também afirma ter sido preterida em favor de um candidato de nacionalidade costarriquenha que, segundo ela, responde a processos na Justiça. Embora não cite nomes, a declaração faz referência, ao que tudo indica, ao ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, nascido na capital da Costa Rica e que também responde a ações judiciais que, inclusive, podem o tornar inelegível. Furlan, no entanto, integra a chapa majoritária apoiada pelo PL e terá a legenda como responsável pela indicação de sua candidata a vice-governadora.

Decisão foi baseada em inelegibilidade, diz PL

A direção estadual do PL negou que a decisão tenha qualquer relação com discriminação ou preconceito. Segundo a legenda, Silvia Waiãpi permanece inelegível após decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que, em abril deste ano, manteve por unanimidade a cassação de seu mandato e reconheceu sua inelegibilidade.

Embora a ex-deputada ainda tenha apresentado recursos contra a decisão, a direção do partido avalia que existe um elevado risco de a candidatura ser posteriormente indeferida pela Justiça Eleitoral. Na avaliação da legenda, isso poderia comprometer toda a nominata de candidatos proporcionais do PL, razão pela qual seu nome não foi homologado durante a convenção.

O caso que levou à cassação de Silvia Waiãpi envolve irregularidades apontadas na prestação de contas da campanha de 2022. O TSE manteve o entendimento do Tribunal Regional Eleitoral do Amapá (TRE-AP) de que houve uso irregular de recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), incluindo despesas relacionadas a procedimentos estéticos. A ex-deputada nega qualquer irregularidade e tenta reverter a decisão nos tribunais.

Até o momento, Silvia Waiãpi sustenta que sua exclusão da disputa teve motivação discriminatória. Já o PL afirma que a medida foi exclusivamente jurídica, adotada para preservar a segurança eleitoral da chapa proporcional e evitar riscos à legenda.