Confirmada a indicação da ex-deputada estadual Luciana Gurgel como candidata a vice-governadora na chapa de Furlan, o eleitor amapaense precisará entender que não estará escolhendo apenas uma vice. Estará, na prática, abrindo as portas do Palácio do Setentrião para um dos grupos políticos mais controversos da história recente do estado: o grupo liderado por Vinícius Gurgel.

Luciana tem trajetória política própria, mas ninguém ignora que sua principal sustentação política é justamente o marido. Vinícius nunca deixou de exercer influência nos bastidores e dificilmente alguém acredita que uma eventual vice-governadora governaria dissociada do grupo que a projetou. Em política, sobrenomes, alianças e compromissos importam e muito.

O histórico de Vinícius Gurgel desperta preocupação. Foi durante sua influência política que ocorreram indicações para cargos estratégicos, entre eles a direção do DNIT no Amapá, onde posteriormente se tornou alvo de operações e investigações envolvendo suspeitas de corrupção relacionadas às obras da BR-156, inclusive tendo Vinícius como um dos alvos da operação. A rodovia, conhecida nacionalmente por ser a obra federal mais antiga em execução no Brasil, tornou-se símbolo de desperdício de recursos, promessas não cumpridas e sucessivos escândalos.

Luxo, ostentação e poder resumem a vida do casal. Foto: divulgação.

Além disso, Vinícius Gurgel representa um dos últimos pilares do bolsonarismo no Amapá. Mesmo após a derrota de Jair Bolsonaro, permaneceu como a principal referência do PL no estado. Sua eventual volta ao centro do poder significaria não apenas o retorno de um grupo que há anos influencia a política local, mas também a retomada de um projeto político que muitos amapaenses acreditavam superado.

É justamente por isso que a escolha do vice deixa de ser um detalhe da campanha. Ela passa a ser uma decisão estratégica sobre quem realmente dividirá o poder pelos próximos quatro anos. Afinal, vice-governadores participam de decisões, assumem o governo na ausência do titular, influenciam indicações, articulam alianças e ocupam espaços centrais na administração pública. Uma canetada de um Gurgel mudaria tudo da noite pro dia no Amapá.

Se Luciana Gurgel confirmar sua presença na chapa de Furlan, a eleição deixará de ser apenas um confronto entre candidatos ao governo. Será também um referendo sobre querer ou não Vinicius Gurgel no núcleo do poder estadual.

A pergunta que o eleitor deve fazer não é apenas quem será o governador. O que de “nova e boa política” Furlan e seus aliados têm? Essa talvez seja uma das decisões mais importantes que estarão em jogo nas urnas em 2026.