O governador do Amapá, Clécio Luís, endureceu o discurso contra o ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan, após a nova operação da Polícia Federal que mira aliados e ex-integrantes da antiga gestão municipal. Durante entrevista ao programa Jornal da Cidade, do radialista Eraldo Trindade, nesta quarta-feira (27), Clécio afirmou que Furlan tenta transformar todas as investigações em narrativa de perseguição política para evitar responder às acusações.
“É uma vergonha, tá feio ter seis operações na casa dele. O que ele diz a respeito disso? Em todas elas, ele grava vídeo dizendo que é perseguição política de A e de B. Não seria melhor explicar por que essas coisas aconteceram?”, disparou o governador.
A declaração ocorre um dia após a Polícia Federal deflagrar a Operação Palanque Digital, que investiga um suposto esquema de desvio milionário de contratos de publicidade da Prefeitura de Macapá para abastecer uma estrutura digital de propaganda política, ataques virtuais e fortalecimento de imagem nas redes sociais.
Durante a entrevista, Clecio citou episódios e suspeitas que cercam o ex-prefeito e seus aliados, cobrando explicações públicas.
“O povo quer saber o que eram aqueles R$ 400 mil na mochila do motorista. O que eram os outros R$ 700 mil. Por que uma empresa que recebeu dinheiro para construir hospital sacou R$ 10 milhões na boca do caixa. Por que houve depósito de R$ 3 milhões dessa empresa para a esposa dele, que também é candidata. É isso que o povo espera”, afirmou.
O governador também relembrou o episódio em que Furlan agrediu um jornalista durante entrevista sobre o prazo das obras do Hospital Municipal de Macapá, caso que repercutiu fortemente à época.
“Ele não pode dizer que defende liberdade de imprensa e engasgar jornalista”, criticou Clecio.
Em outro trecho da entrevista, o governador ironizou a tentativa de aliados de minimizar a operação da PF.
“Que história é essa de ir para as redes sociais dizer ‘diante dos últimos acontecimentos’? Não foram acontecimentos. Foi operação da Polícia Federal. Não foi visita, foi batida. Acharam dinheiro na casa de um, arma na casa de outro. Tem que explicar”, declarou.
A fala de Clecio aumenta ainda mais a temperatura política no Amapá, em meio ao avanço das investigações federais e à radicalização das narrativas nas redes sociais. Enquanto aliados de Furlan insistem no discurso de perseguição política, o governador passou a cobrar publicamente respostas concretas sobre os episódios investigados pela PF.
