A Polícia Federal colocou o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan, no centro da Operação Palanque Digital, deflagrada nesta terça-feira (26), para desmontar um suposto esquema milionário de propaganda política clandestina, desinformação e ataques virtuais financiados, segundo as investigações, com recursos públicos da Prefeitura de Macapá.

A operação apura o desvio de cerca de R$ 25 milhões em contratos de publicidade da gestão municipal. De acordo com a PF, o dinheiro destinado originalmente à comunicação institucional teria abastecido uma verdadeira máquina digital de influência política, usada para promover aliados, fortalecer a imagem da administração e atacar adversários nas redes sociais.

Ao todo, foram cumpridos 35 mandados de busca e apreensão em Macapá (AP), Belém (PA) e Canela (RS). A investigação envolve influenciadores digitais, páginas de internet, empresas de comunicação e ex-integrantes da gestão municipal.

Segundo a Polícia Federal, a estrutura investigada funcionaria como uma rede organizada de disseminação de conteúdo político disfarçado de informação jornalística e entretenimento digital. O objetivo seria manipular o debate público, impulsionar narrativas favoráveis ao grupo político e atingir opositores.

Entre os crimes investigados estão organização criminosa, lavagem de dinheiro, crimes eleitorais e delitos contra a administração pública.

Furlan mais uma vez sendo alvo de operação da PF. Foto: divulgação.

Além de Dr. Furlan, também aparecem entre os alvos da operação:

  • Neto Furlan, irmão do ex-prefeito e ex-secretário de Governo;
  • Ivo Melo, ex-secretário de Gabinete Civil;
  • Diego Santos, ex-secretário de Articulação;
  • Juarez Menescal, ex-secretário de Comunicação.

A operação também atingiu influenciadores e administradores de páginas conhecidas nas redes sociais amapaenses, entre eles:

  • Edi dos Santos Souza, o “Soedi”;
  • Jean Machado, do “Bambam News”;
  • Jonatas Nascimento, o “Fabuloso”, da página “Ispia Amapá”;
  • Huelton “Fuleirão”;
  • Rodrigo Sales, apontado como responsável pela página “SN”.

A PF sustenta que recursos públicos teriam sido usados para alimentar um ecossistema digital de propaganda política agressiva, marcado por ataques coordenados, divulgação de conteúdo tendencioso e fortalecimento artificial de figuras ligadas ao grupo investigado.

Até o momento, a defesa dos investigados não se pronunciou oficialmente sobre a operação.