O ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, decidiu prorrogar por tempo indeterminado o afastamento do vice-prefeito de Macapá, Mário Neto, da secretária municipal de Saúde, Erica Aymoré, e do presidente da Comissão Especial de Licitação, Walmiglisson Silva. A medida, que inicialmente valia por 60 dias, seguirá em vigor até que cessem os riscos apontados às investigações.

A decisão também autorizou aos investigados acesso aos autos do processo.

A investigação conduzida pela Polícia Federal apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos, lavagem de capitais e fraudes em licitações dentro da Prefeitura de Macapá. Segundo as apurações, os indícios envolvem R$ 128,9 milhões oriundos de emendas parlamentares federais.

O principal foco da investigação é a licitação para a construção do Hospital Municipal de Macapá. O prefeito Antônio Furlan, já afastado do cargo, é apontado pela Polícia Federal como principal beneficiário político e patrimonial do suposto esquema.

A prorrogação do afastamento foi motivada por novos fatos relatados pela gestão interina do município e pela Polícia Federal. Entre eles, estão pagamentos considerados atípicos que somam R$ 3,3 milhões a empresas de comunicação e construção, realizados poucas horas após a posse do prefeito interino e sem autorização formal, utilizando chave bancária vinculada a José Furlan Neto, irmão do prefeito afastado.

Também foram relatados episódios de remoção de discos rígidos de computadores do setor de licitações, invasões à Secretaria de Finanças e à Macapá Previdência, com corte de cabos de rede e interrupção de sistemas, além de exonerações coordenadas de servidores comissionados, vazamento de documentos sigilosos e desaparecimento de processos físicos.

No caso do vice-prefeito Mario Rocha, o STF destacou que ele acumulava também a função de secretário municipal de Finanças. Para a Corte, o eventual retorno ao cargo poderia levá-lo ao comando do Executivo municipal, o que ampliaria riscos à apuração, especialmente porque a pasta das Finanças foi um dos principais alvos dos episódios relatados. Além disso, aparelhos celulares apreendidos seguem bloqueados devido à recusa no fornecimento de senhas.