Pagamentos acelerados de R$ 3,3 milhões no mesmo dia do afastamento político do núcleo da Prefeitura de Macapá, retirada de HDs do setor de licitações, invasões em órgãos estratégicos e desaparecimento de documentos. Foram esses alguns dos principais motivos que levaram o ministro do STF, Flávio Dino, a endurecer a medida cautelar e prorrogar por tempo indeterminado o afastamento de integrantes da gestão ligados ao ex-prefeito Antônio Furlan.

A decisão revela que o Supremo identificou um cenário de alta gravidade institucional. Em vez de normalidade administrativa após a operação da Polícia Federal, surgiram relatos de movimentações consideradas incompatíveis com a rotina do serviço público e potencialmente lesivas à investigação.

O episódio mais explosivo envolve a liberação de R$ 3.313.568,57 para empresas de comunicação e construção poucas horas após a posse do prefeito interino. Segundo informações do processo, os pagamentos teriam ocorrido sem autorização formal e com uso de chave bancária vinculada a José Furlan Neto, irmão do prefeito afastado Antônio Furlan.

Para investigadores, o caso acendeu alerta máximo por indicar possível manutenção de influência sobre estruturas financeiras da prefeitura mesmo após a decisão judicial que afastou o comando político do município.

Outro ponto decisivo foi a remoção de discos rígidos de computadores do departamento de licitações, setor sensível para contratos e registros administrativos. Em qualquer investigação, a suspeita de ocultação ou destruição de provas costuma ser tratada como elemento grave e suficiente para justificar medidas mais duras.

Também pesaram relatos de invasões à Secretaria de Finanças e à Macapá Previdência, com corte de cabos de rede e derrubada de sistemas essenciais. Somam-se ainda exonerações em massa de comissionados, vazamento de documentos sigilosos e desaparecimento de processos físicos.

No entendimento do STF, permitir o retorno imediato desse grupo significaria abrir espaço para novos riscos à apuração. No caso do vice-prefeito Mario Neto, que também ocupava a Secretaria de Finanças, o retorno poderia inclusive levá-lo ao comando do Executivo municipal.

Ao manter os afastamentos, Flávio Dino envia um recado claro: diante de suspeitas de interferência, uso indevido da máquina pública e possível blindagem política, a prioridade da Justiça será preservar as investigações. E no centro desse terremoto político segue o ex-prefeito Antônio Furlan, apontado pela Polícia Federal como principal beneficiário político e patrimonial do suposto esquema investigado.