O Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) marcou para o dia 18 de agosto o julgamento que pode resultar na demissão do promotor de Justiça do Ministério Público do Amapá, João Paulo Furlan, irmão do ex-prefeito de Macapá, Antônio Furlan. A decisão ocorre após o órgão rejeitar o último recurso apresentado pela defesa e manter o afastamento cautelar do promotor, que responde a um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).  

João Paulo Furlan é investigado por suposta participação em um esquema de corrupção eleitoral que teria beneficiado a campanha de seu irmão, agora pré-candidato ao Governo do Amapá. As investigações apontam suspeitas de compra de votos e transporte irregular de eleitores durante o processo eleitoral.  

Segundo informações divulgadas pela coluna Painel, da Folha de S.Paulo, o CNMP concluiu a fase de recursos e abriu prazo para apresentação das alegações finais e realização de diligências complementares. Encerradas essas etapas, o caso será submetido ao plenário do Conselho, que decidirá se o promotor permanecerá nos quadros do Ministério Público ou será expulso da instituição.  

João Paulo Furlan está afastado das funções desde o início deste ano, quando o CNMP instaurou o processo disciplinar com base em investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Eleitoral. Conforme as apurações, mensagens analisadas pelos investigadores indicariam a utilização de cestas básicas, combustível e outras vantagens para a captação ilícita de votos.  

Mesmo afastado do cargo, o promotor chegou a assumir a presidência da associação que representa os membros do Ministério Público do Amapá. O julgamento marcado para agosto poderá definir a penalidade máxima prevista na esfera administrativa, com a perda do cargo, sem prejuízo das demais ações judiciais relacionadas ao caso.