O avanço do garimpo ilegal na divisa entre o Amapá e o Pará voltou a acender o alerta de autoridades ambientais sobre os riscos à região conhecida como santuário das árvores gigantes da Amazônia. Entre os dias 12 e 17 de maio, uma operação coordenada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) desmantelou sete pontos de mineração clandestina nos municípios de Laranjal do Jari e Almeirim, causando prejuízo estimado em mais de R$ 6 milhões aos infratores.
A ofensiva faz parte da Operação Calha Norte e mobilizou cerca de 80 agentes, além de cinco aeronaves utilizadas para acessar áreas remotas de floresta. Durante a ação, foram inutilizadas sete escavadeiras hidráulicas, tratores, quadriciclos, motores, geradores e milhares de litros de combustível usados na atividade ilegal. Em um dos acampamentos de apoio ao garimpo, também foram apreendidas 441 unidades de explosivos.
Segundo o Ibama, esta já é a quinta operação realizada na região em 2026, dentro de uma estratégia contínua para interromper as rotas logísticas do crime ambiental na Amazônia. Desde o início do ano, já foram destruídas 27 escavadeiras hidráulicas, caminhões de transporte pesado, aeronaves clandestinas e estruturas montadas para sustentar a exploração ilegal de ouro.

As equipes de fiscalização identificaram ainda uma mudança no perfil da atividade criminosa com a descoberta de um garimpo de filão, modelo de extração subterrânea que exige maior estrutura tecnológica e financeira. A prática utiliza explosivos, galerias subterrâneas e maquinário industrial para triturar rochas em busca de ouro, provocando danos permanentes ao relevo e elevando o risco de contaminação do solo e dos rios.
A preocupação das autoridades ambientais se concentra principalmente na ameaça ao santuário dos angelins-vermelhos (Dinizia excelsa), árvores que podem alcançar até 88 metros de altura, o equivalente a um prédio de 30 andares. Considerada uma das regiões de maior valor ecológico do planeta, a área sofre pressão crescente do garimpo clandestino, que compromete cursos d’água, destrói o subsolo e ameaça a biodiversidade amazônica.
A operação contou com apoio da Polícia Federal, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), da Força Nacional, da Secretaria de Segurança Pública do Pará e do Grupamento Aéreo do Pará. Para o Ibama, a destruição de equipamentos e o bloqueio das estruturas logísticas seguem como as principais estratégias para enfraquecer financeiramente as organizações criminosas que atuam na floresta.

