Pico de interesse pelo termo ocorreu em 30 de setembro, um dia após debate entre Clécio e Furlan na Rede Amazônica.
A busca pelo termo “facção” disparou mais de 5.000% no Amapá, segundo dados do Google Trends. A ferramenta classificou o crescimento como “extraordinário” e registrou o pico de interesse em 30 de setembro, um dia depois do debate entre os candidatos ao Governo do Amapá, Clécio Luís e Dr. Furlan, realizado pela TV Amapá na noite de 29 de setembro.
O movimento ocorre justamente na reta final da eleição, quando as investigações sobre possíveis vínculos entre pessoas apontadas como integrantes de organizações criminosas e a estrutura da Prefeitura de Macapá passaram a ocupar espaço principal no debate entre os dois principais candidatos.

O assunto ganhou repercussão nacional em 16 de setembro, quando a CNN Brasil revelou que, segundo investigação da Polícia Civil do Amapá, ao menos 12 pessoas apontadas como ligadas ao crime organizado foram contratadas ou nomeadas durante a gestão de Furlan na Prefeitura de Macapá, entre 2021 e 2026. A reportagem informou que investigadores apontavam 11 dessas pessoas como integrantes da Família Terror do Amapá (FTA) e uma como ligada ao Comando Vermelho. Furlan negou relação com organizações criminosas e afirmou que as nomeações seguiram os procedimentos administrativos.
Entre os nomes citados está Jesaias Silva e Silva, o Jesa, ex-subsecretário de Zeladoria Urbana de Macapá. Ele foi preso na Operação Herodes, investigação que também passou a integrar o contexto das discussões sobre possíveis conexões entre política e organizações criminosas no Amapá.
Debate colocou o tema no centro da disputa
Na noite de 29 de setembro, o assunto voltou ao centro da disputa eleitoral durante o debate da TV Amapá. Clécio questionou Furlan sobre pessoas apontadas nas investigações como ligadas a facções e que mantiveram vínculos com a administração municipal durante sua gestão. O tema esteve entre os momentos de maior confronto entre os candidatos.
No dia seguinte, 30 de setembro, justamente a data do pico registrado pelo Google Trends, veículos locais voltaram a repercutir o confronto e as acusações relacionadas às investigações. A cobertura do debate destacou as discussões sobre facções, contratações na Prefeitura e os questionamentos feitos por Clécio a Furlan.
O interesse pelo termo também acontece depois de uma sequência de episódios que colocou a administração municipal de Macapá e o nome de Furlan no centro de diferentes investigações ao longo de 2026. Em março, Furlan deixou o cargo de prefeito para disputar o Governo do Estado após ser afastado no contexto da Operação Paroxismo, que investiga suspeitas relacionadas a contratos e obras do Hospital Geral Municipal.
A Operação Herodes, por sua vez, trouxe para o noticiário o nome de Jesaias Silva e outros investigados. Paralelamente, a investigação sobre pessoas apontadas como integrantes ou ligadas à FTA e que tiveram vínculos com a Prefeitura ampliou a repercussão do tema.
O assunto deixou, portanto, de aparecer apenas nas páginas policiais e passou a fazer parte diretamente da campanha eleitoral. Foi discutido em reportagens nacionais, ganhou repercussão na imprensa local e chegou ao principal debate televisivo entre Clécio e Furlan.
É nesse contexto que o dado do Google Trends chama atenção: o maior volume de interesse pelo termo “facção” no período analisado ocorreu em 30 de setembro, imediatamente após o debate de 29 de setembro, data também que teve um pico gigantesco, mesmo com o debate em horário avançado.
