A campanha de Rayssa Furlan ao Senado tem chamado atenção não apenas pelo desempenho nas pesquisas, mas também pela ausência da candidata em entrevistas e sabatinas. Nos últimos dias, Rayssa deixou de participar de compromissos com emissoras de televisão e rádio, evitando o confronto direto com jornalistas e eleitores. A candidata evita, a todo custo, falar publicamente em eventos ou ocasiões em que seu partido não tem total controle de tudo.
A postura ganhou um novo capítulo depois que o senador Lucas Barreto, que também disputa uma das duas vagas do Amapá, afirmou que pretende “representar” Rayssa nos debates. A declaração é, no mínimo, curiosa: enquanto uma candidata ao Senado prefere não responder diretamente aos questionamentos, outro candidato assume o papel de falar por ela.
A estratégia pode ser eleitoralmente calculada, mas levanta uma questão legítima para o eleitor. O Senado exige justamente o contrário do silêncio: parlamentares precisam discursar, defender posições, negociar, responder a críticas e representar seus estados em discussões que afetam diretamente a população.
Lucas Barreto, por sua vez, também merece ser questionado sobre a escolha. Candidato à reeleição, ele disputa uma das mesmas vagas que Rayssa e, ainda assim, dedica parte de sua exposição a defender uma companheira de chapa que tem evitado aparecer diante dos eleitores. Afinal, está fazendo campanha para si ou também assumindo a missão de eleger Rayssa?
No fim, a questão é maior do que a ausência em um debate. Quem pretende ocupar uma cadeira no Senado precisa estar preparado para falar em nome de um Estado inteiro, defender suas posições e responder diretamente à população. Se, durante a campanha, é Lucas Barreto quem se dispõe a falar por Rayssa, a pergunta permanece inevitável: se Rayssa for eleita, quem vai falar por ela em Brasília?
