Uma praga que pode comprometer severamente a produção de mandioca já alcançou 15 dos 16 municípios do Amapá. O avanço da chamada vassoura-de-bruxa é acompanhado pela Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro), que classifica a doença como uma ameaça à mandiocultura e à segurança alimentar no estado.
O único município que ainda não possui registro confirmado da doença é Vitória do Jari. A lista de localidades atingidas inclui Oiapoque, Calçoene, Amapá, Pracuúba, Tartarugalzinho, Pedra Branca do Amapari, Serra do Navio, Porto Grande, Cutias do Araguari, Ferreira Gomes, Macapá, Santana, Itaubal do Piririm, Laranjal do Jari e Mazagão.
A vassoura-de-bruxa é provocada pelo fungo Rhizoctonia theobromae, também conhecido como Ceratobasidium theobromae. A doença altera o desenvolvimento da planta, provoca deformação dos ramos e pode levar ao ressecamento e à morte da mandioca. Em casos graves, as perdas podem chegar à totalidade da produção.
O problema ganhou dimensão estadual porque a mandioca ocupa um papel central na agricultura familiar e na alimentação de comunidades amapaenses. Além do consumo direto, a raiz é matéria-prima para produtos como farinha e beiju, o que faz com que os efeitos da praga ultrapassem as propriedades rurais e possam atingir também a renda de agricultores e a oferta de alimentos.
A doença foi identificada inicialmente no Amapá em áreas indígenas do município de Oiapoque. Desde então, a presença do fungo foi registrada em diferentes regiões do estado. A dispersão pode ocorrer por meio do trânsito de material vegetal contaminado, inclusive partes utilizadas para o plantio, o que tornou o controle do transporte uma das principais estratégias de contenção.
Em 2026, a Diagro estabeleceu medidas específicas para impedir a disseminação da praga. Entre elas está a restrição ao trânsito de plantas e partes de plantas de mandioca provenientes de municípios com ocorrência confirmada para áreas onde a doença ainda não foi registrada. A agência também realiza ações de fiscalização e inspeção para identificar e conter novos focos.
O avanço da doença também mobiliza pesquisas em busca de variedades de mandioca mais resistentes ou tolerantes ao fungo. Enquanto essas alternativas são estudadas, a orientação das autoridades é reforçar o monitoramento das plantações, evitar o transporte irregular de material vegetal e adotar medidas de higiene e biossegurança nas áreas de cultivo.
Com a confirmação da praga em praticamente todo o território amapaense, o desafio agora é evitar que Vitória do Jari também registre casos e, principalmente, impedir que os focos existentes continuem se espalhando. Para um estado onde a mandioca está diretamente ligada à agricultura familiar, à alimentação e à geração de renda, a vassoura-de-bruxa deixou de ser um problema localizado e passou a representar uma ameaça para toda a cadeia produtiva.
