Depois de entrar no centro das discussões nacionais sobre petróleo, o Amapá também começa a ganhar espaço no debate sobre outra riqueza considerada estratégica para o futuro da economia mundial: os minerais críticos e as terras raras.
O tema ganhou força nesta quarta-feira (26), após o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciar que pretende pautar na próxima semana o projeto que cria uma Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta foi discutida durante almoço com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta, no Palácio da Alvorada.
As terras raras são utilizadas em produtos de alta tecnologia, como veículos elétricos, equipamentos médicos, turbinas eólicas, smartphones e sistemas de defesa. No Amapá, o assunto já começou a ser tratado de forma específica. Em fevereiro deste ano, a Secretaria de Estado da Mineração criou uma comissão para preparar a criação de um Comitê de Terras Raras, com participação de órgãos públicos, instituições de pesquisa e setor privado.
A movimentação ocorre enquanto o Congresso também discute a criação da Terras Raras Brasileiras S.A., a TERRABRAS. O Projeto de Lei 1.733/2026 autoriza a criação da empresa pública federal para atuar em pesquisa, exploração, desenvolvimento tecnológico e inovação relacionados às terras raras. A proposta integra a estratégia de ampliar a participação brasileira em uma cadeia considerada importante para tecnologia, energia e defesa.

O potencial amapaense ainda depende de estudos geológicos e da confirmação da existência de reservas economicamente viáveis. Mesmo assim, o tema já entrou na agenda estadual. Em março, durante o 1º Fórum Nacional de Secretários de Mineração, realizado em Macapá, a necessidade de ampliar estudos sobre terras raras e minerais críticos esteve entre os assuntos discutidos pelo setor.
A discussão acontece poucas semanas depois de o Amapá ganhar destaque nacional com a confirmação da presença de petróleo em águas profundas da Margem Equatorial. Com petróleo de um lado e potencial mineral do outro, o estado passa a aparecer em diferentes frentes da estratégia brasileira para recursos naturais considerados estratégicos.
Na coletiva desta quarta-feira, Lula classificou a política para minerais críticos como uma questão de soberania nacional. Alcolumbre afirmou que pretende colocar o tema em votação no Senado durante a semana de esforço concentrado, entre 31 de agosto e 4 de setembro. Para o Amapá, o avanço dessa agenda pode abrir uma nova etapa de estudos e investimentos sobre seu potencial mineral.
