O presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna ao Oiapoque nesta segunda-feira, 17 de agosto de 2026, 18 anos depois de uma visita que marcou a história da fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa.

Em fevereiro de 2008, Lula esteve no município acompanhado do então governador do Amapá, Waldez Góes, hoje ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, e do então senador José Sarney. A agenda ganhou repercussão internacional com o encontro entre Lula e o então presidente francês Nicolas Sarkozy, realizado entre Oiapoque e Saint-Georges-de-l’Oyapock.

Naquele momento, a região era palco de discussões sobre a integração entre os dois países, a soberania na Amazônia e o combate ao garimpo ilegal. Entre os principais compromissos estava a construção da Ponte Binacional sobre o Rio Oiapoque, que ligaria definitivamente os dois lados da fronteira.

Waldez, Lula e Sarney às margens do Rio Oiapoque. Foto: Ricardo Stuckert/PR.

Dezoito anos depois, Lula retorna a um cenário diferente daquele encontrado em 2008. A ponte, que naquele período era um compromisso entre os governos brasileiro e francês, foi construída e passou a representar uma nova etapa na relação entre Oiapoque e Saint-Georges. Neste mês de agosto, outra mudança reforçou esse processo de aproximação, com a dispensa da exigência de visto para brasileiros em viagens de curta duração à Guiana Francesa.

A própria presença de Waldez Góes ajuda a dimensionar a passagem do tempo. Em 2008, ele acompanhava Lula como governador do Amapá em seu segundo mandato (vieram mais dois mandatos neste intervalo de tempo). Agora, integra o governo federal como ministro e retorna ao município em um momento em que o estado volta a ocupar uma posição estratégica no debate nacional.

Mas, desta vez, a agenda do presidente está voltada para outro horizonte. Se há 18 anos Lula foi ao Oiapoque para discutir uma ponte que aproximaria o Brasil da Guiana Francesa, agora retorna para acompanhar os avanços da Petrobras na Margem Equatorial.

Sarkozy recebe Lula do lado francês do Rio Oiapoque. Foto: Ricardo Stuckert/PR.

A visita ocorre poucos dias após o anúncio de indícios de petróleo no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. A nova etapa das pesquisas reacendeu as expectativas em torno do potencial energético da costa amapaense e do papel que o estado poderá desempenhar nos próximos anos.

Entre as duas viagens, o Oiapoque mudou. A ponte saiu do papel, a relação com o outro lado do rio ganhou novos instrumentos de integração e a região passou a conviver com uma nova expectativa de transformação econômica. Até as companhias políticas mudaram, agora ele está acompanhando de dois senadores amapaenses, Davi e Randolfe, o primeiro sendo presidente do Senado e Randolfe seu líder no Congresso. Além da presença do governador do estado, Clécio Luís.

Em 2008, Lula esteve no Oiapoque para discutir como aproximar dois países separados pelo Rio Oiapoque. Em 2026, retorna com essa ligação já consolidada e diante de uma nova possibilidade: a de que as águas da Margem Equatorial coloquem novamente o extremo Norte do Brasil no centro de uma agenda estratégica para o país.