Hoje é mais um Dia Mundial do Rock. Uma das datas mais curiosamente familiares que eu conheço.

É o dia em que pagodeiro vira metaleiro, forrozeiro lembra que ouvia Pink Floyd com o avô na infância e cantor sertanejo presta reverência a Freddie Mercury e tantos outros gigantes da história do gênero.

E eu gosto disso.

Nunca enxerguei o rock como esse clubinho particular de quarentões saudosistas que alguns insistem em defender. O rock é, como a própria data diz, mundial. É meu, é seu e, no fim das contas, não pertence a ninguém. Não é patrimônio de uma tribo. É um estado de espírito.

É uma juventude que sobrevive ao tempo. Uma inquietação que muita gente ainda carrega aos 60, 70 anos. Uma recusa elegante em aceitar que amadurecer significa virar um adulto chato, previsível e domesticado.

Hoje é o dia em que todo mundo resolve ser um porra-louca. Eu costumo chamar isso de mais uma segunda-feira.

Nunca fiz muita questão de parecer bom moço. E todo roqueiro que se preze sabe que rock nunca foi sobre parecer exemplar. Costumo dizer que é um monte de gente ruim que passa a vida fazendo o bem pros outros. Porque ser rock é isso: fazer o certo porque faz sentido, não porque tem alguém assistindo.

Percebi que já passei da metade desse texto e praticamente não falei de música. Acho que isso explica melhor o rock do que qualquer resenha de disco. Porque o rock nunca foi só guitarra, amplificador e camiseta preta. Isso é estética. O resto é atitude.

É vestir coragem quando todo mundo veste conveniência. É fazer barulho quando esperam silêncio. É continuar sendo quem você é mesmo quando descobrem que isso não dá status nenhum.

Salve Pixies. Salve Sepultura. Salve Johnny Cash. Salve The Stooges. Salve Pink Floyd. Salve Alice in Chains e tantas outras bandas que fizeram minha cabeça ontem, fazem hoje e, muito provavelmente, ainda vão fazer amanhã.

Viva o rock.

E, acima de tudo, viva quem faz do rock um jeito de existir. Hoje a tribo aumenta. Tem gente que aparece uma vez por ano, coloca uma camiseta do Ramones, canta um refrão que nem conhece direito e vai feliz para um show. Então abracem quem chegou. Recebam bem o pagodeiro, o sertanejo, o funkeiro, o forrozeiro. Porque, no fundo, eles também sabem: ser do rock é bom pra caralho.

E tá tudo certo.

Porque, se o rock é de todo mundo, hoje é justamente o dia de lembrar disso.