Uma pesquisa desenvolvida no Amapá está abrindo caminho para tornar próteses robóticas mais acessíveis e eficientes para pessoas amputadas ou com limitações motoras. Utilizando inteligência artificial e sensores capazes de captar sinais emitidos pelos músculos, o projeto transforma movimentos naturais do corpo em comandos que controlam os dedos de uma prótese produzida por impressão 3D.
A tecnologia funciona por meio da leitura de sinais mioelétricos gerados durante a contração muscular. Esses dados são enviados para um sistema de inteligência artificial embarcado em um microcontrolador, que interpreta os padrões e aciona os movimentos da prótese em tempo real. Nos testes realizados, o sistema alcançou mais de 92% de precisão no reconhecimento dos movimentos.
Além de representar um avanço tecnológico, a pesquisa busca enfrentar um dos principais desafios da área: o alto custo das próteses inteligentes. A proposta é desenvolver soluções de menor preço, capazes de ampliar o acesso à tecnologia e oferecer mais autonomia, independência e qualidade de vida para pessoas que dependem desses dispositivos.
O projeto foi coordenado pelo pesquisador André de Oliveira Ferreira e também demonstra o potencial da ciência produzida na Amazônia para gerar soluções com impacto social direto. Além das aplicações em próteses, a tecnologia poderá futuramente ser utilizada em processos de reabilitação e em interfaces que conectam seres humanos e máquinas.

“Uma prótese como essa pode melhorar consideravelmente a vida de uma pessoa, pois pode proporcionar a realização de atividades que ela não executa, trazendo de volta a autonomia em tarefas como escrever, por exemplo. Além disso, o custo de uma prótese comercial é elevado e um dos objetivos da pesquisa é justamente reduzi-lo para que essa tecnologia seja acessível a um número maior de pessoas”, disse André.
A pesquisa recebeu apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amapá (Fapeap), por meio do Programa Afrocientista do Amapá (Proafro), iniciativa voltada ao incentivo da produção científica, da inovação e da formação de novos pesquisadores pelo Governo do Amapá.
