por ARNALDO SANTOS FILHO
No ano de 2006 ainda não havia se popularizado o WhatsApp, e o Facebook era um embrião do que no futuro viria a ser a rede social mais utilizada no planeta. Pra completar, eu era um acéfalo no uso da principal rede social de então: o Orkut.
Por tudo isso, até hoje eu não me lembro como foi que eu consegui desabafar pro mundo a minha insatisfação após o quarto jogo do Brasil na Copa de 2006, contra a seleção de Gana, em que nossa seleção ganhou por 3 x 0.
Alguém pode perguntar por que haveria motivo para insatisfação diante de uma vitória tão consistente em plena Copa do Mundo, competição que até então reunia as 32 melhores seleções do mundo. Mas calma, eu explico: a seleção brasileira havia vencido os três primeiros jogos da primeira fase e, naquele jogo de oitavas de final, já um mata-mata, o Brasil pareceu jogar apenas protocolarmente, tamanha a superioridade de nossos jogadores diante do frágil time de Gana.
Ali havia Dida, Juan, Roberto Carlos, Zé Roberto, Juninho Pernambucano, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Adriano Imperador. Era pra ser um massacre, mas não foi. E o pior de tudo: EU DORMI EM FRENTE À TV!!!
A seleção brasileira de então parecia jogar apenas cumprindo a obrigação de superar fases até que finalmente chegasse à final e à conquista de mais um título mundial. Afinal, aquela Seleção Brasileira contava com boa parte daquele time de heróis que havia conquistado o penta em 2002.
Mas, pra surpresa de todos nós, no jogo seguinte, de quartas de final, Zidane estava num dia normal e Roberto Carlos resolveu se abaixar para “ajeitar o meião” na hora H.
Ficamos pelo meio do caminho diante de uma França que já se mostrava muito superior a nós no futebol, como se não bastassem as inúmeras superioridades em outros campos.
Eu, logicamente, fiquei possesso. Era inadmissível que o nosso escrete pudesse sucumbir diante de uma seleção que, no cenário mundial, não nos fazia frente. Eram detentores de um reles título enquanto nós éramos, e somos, PENTACAMPEÕES MUNDIAIS!!!
Parodiando a letra de João Nogueira na música “Espelho”, eu “troquei de mal” com aquela seleção por me frustrar um sonho.
Mas a vida é uma roda que não para de girar, é uma escola na qual não se para de aprender. Afinal, o tempo passou, aqueles craques se aposentaram, o Brasil não ganhou mais nenhuma Copa desde 2002 e, pior, levamos um acachapante 7 x 1 em pleno solo brasileiro, como que a anunciar uma realidade que eu teimava em não querer acreditar: ALÉM DE NÃO SERMOS MAIS OS MELHORES, NÃO SOMOS SEQUER OS “MAIS OU MENOS”.
A seleção brasileira dos dias atuais é isso mesmo: com letra minúscula, cabelos e chuteiras no melhor estilo psicodélico, capaz de empatar com aquela Venezuela que sempre ficava em último na classificação das eliminatórias e perder, com chocolate, pro bom e velho Uruguai, mais velho do que bom.
A mim resta buscar humildade no fundo da minha alma pra dizer a vocês, agora em plena era das redes sociais:
COMO EU FUI CAPAZ DE RECLAMAR DAQUELA SELEÇÃO, que tinha Dida, Juan, Roberto Carlos, Zé Roberto, Juninho Pernambucano, Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Ronaldo Fenômeno e Adriano Imperador????
Perdão, craques do passado, EU ERREI!
Mas quem nunca???
