O Amapá aparece entre os estados brasileiros com maior presença de empreendedores negros no país. A informação é de uma pesquisa do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que colocou o estado ao lado do Pará e Amazonas no topo do ranking nacional. Segundo o levantamento, em cada grupo de 100 pessoas negras com mais de 14 anos, pelo menos 18 possuem algum negócio próprio. O número coloca os estados da região Norte na liderança nacional do empreendedorismo negro.

Apesar do destaque, os dados também revelam uma realidade preocupante. No Amapá, onde mais de 80% da população se declara preta ou parda, menos de um quinto dessa população conseguiu abrir ou manter um negócio próprio. Na prática, isso significa que, mesmo em um dos estados mais negros do Brasil, a maioria da população ainda enfrenta dificuldades para transformar trabalho e talento em independência financeira. Falta de acesso a crédito, renda baixa e poucas oportunidades ainda são obstáculos para milhares de pessoas.

A pesquisa analisou dados entre 2012 e 2025 e mostra que o empreendedorismo negro cresceu em todo o país. Hoje, o Brasil possui cerca de 15,8 milhões de empreendedores negros, um aumento de 30% nos últimos dez anos. Entre os brancos, o crescimento foi menor, de 21%, somando cerca de 14 milhões de donos de negócios.

O estudo também aponta os estados com menores índices. O Acre aparece na última posição, com 10,4%. Distrito Federal e Paraíba vêm logo depois, ambos com 12,8%. Mesmo liderando o ranking nacional, os números mostram que o empreendedorismo negro no Amapá ainda cresce abaixo do potencial da própria população do estado.